Conte sua história

Histórias que inspiram

Entre o medo e o sonho, existe uma voz que nos faz seguir.

Entrevistas, histórias reais e conexões que dão visibilidade a mulheres que empreendem, lideram e transformam realidades.

Microfone de podcast, fones de ouvido e caderno sobre a mesa, em luz quente
No ar Novas entrevistas toda semana
Amanda Oliveira, jornalista, sorrindo em frente ao microfone com fones de ouvido, escrevendo em um caderno
Jornalismo com escuta,
afeto e verdade

Quem somos

Sempre acreditei que toda história merece ser ouvida.

Amanda Oliveira

Jornalista e idealizadora

E que uma voz pode transformar muitas vidas.

Sou jornalista, com mais de 15 anos de experiência em comunicação, assessoria de imprensa e relações públicas. Ao longo da minha trajetória, tive a oportunidade de trabalhar com grandes marcas, conhecer pessoas inspiradoras e descobrir o poder que existe por trás de cada história.

Foi dessa paixão por ouvir, contar histórias e dar visibilidade a diferentes trajetórias que nasceu o Nossa Força é a Nossa Voz.

Mais do que um projeto de entrevistas, quero construir um espaço de conexão, representatividade e inspiração, onde histórias reais ganham voz e podem abrir caminhos para outras pessoas.

Nem toda história que merece ser notícia ganha visibilidade. Como jornalista, acredito que meu papel é ir ao encontro dessas vozes, revelar trajetórias que ainda não foram contadas e mostrar que toda história tem força para inspirar outras.

  • Dar visibilidade a trajetórias reais
  • Conectar mulheres
  • Impulsionar oportunidades

Nosso manifesto

Acreditamos no poder da escuta, da troca e da representatividade. Aqui, cada história importa, cada voz tem valor e cada conquista inspira outras mulheres a seguirem em frente.

Somos um movimento por mais oportunidades, equidade e protagonismo feminino.

Grupo de mulheres de diferentes idades conversando e sorrindo ao redor de uma mesa com notebook e cafés

Entrevistas

Conversas com mulheres que fazem a diferença em suas áreas.

Andreza Maia sorrindo, sentada em um sofá de couro, de terno marrom Entrevista especial

Inovação · Futurismo

Sem precisar falar mais alto: como a futurista Andreza Maia transformou a própria voz em ponte para que outras cheguem

A especialista em futurismo e inovação relembra suas raízes em Contagem, questiona a hegemonia do Vale do Silício ao exaltar o filtro de barro e afirma:

“A gente não pode esperar que alguém autorize a nossa existência.”

Muito além das entrevistas

Uma rede inteira para você crescer.

Quatro mulheres de diferentes idades abraçadas e sorrindo
01

Clube Nossa Força

Uma comunidade de mulheres que compartilham conhecimento, experiências e oportunidades para crescer juntas.

  • Rede de apoio
  • Conteúdos exclusivos
  • Encontros especiais
  • Oportunidades
Faça parte do Clube
Xícara de café, caderno aberto e caneta ao lado de um notebook
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Mentorias

Desenvolvimento, orientação e troca de experiências com mulheres que já trilharam caminhos de sucesso.

  • Plano de ação personalizado
  • Desenvolvimento de carreira e negócio
  • Mentoras convidadas
Quero participar
Eventos: encontros, rodas de conversa, lançamentos e experiências que conectam histórias, fortalecem redes e ampliam vozes. Em breve.
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Banco de Vozes

Um espaço de conexões e oportunidades: mulheres entrevistadas e da comunidade ganham visibilidade para palestras, parcerias, imprensa e negócios.

Quero fazer parte

Vozes que já passaram por aqui

Palavras que abrem caminhos.

“
Ter voz não é necessariamente falar mais alto. É conseguir dizer aquilo que precisa ser dito, mesmo quando seria muito mais confortável ficar em silêncio.
Andreza Maia Futurista e especialista em inovação
“
Sozinha, é possível falar muito alto. Mas, se gritarmos juntas, vira coro. E um coro é muito mais difícil de silenciar.
Karol Ferreira Fundadora de As Negas do Ziriguidum
“
Nosso público busca se reconhecer no espelho, valorizando seus traços ancestrais.
Dra. Débora Santos Biomédica esteticista
“
O que eu estudei, o que eu aprendi, as bagagens que eu tenho, ninguém vai me tirar.
Tainá Supe Fundadora da Trifoglio

Sua história pode ser a coragem que outra mulher precisa ouvir.

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O Clube é para mulheres que querem crescer em rede — empreendedoras, profissionais em transição, lideranças e quem está começando. Entre em contato para receber os detalhes de participação.

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Os encontros são divulgados aqui no site e no Instagram @nossaforcaeanossavoz. Os próximos encontros serão anunciados em breve.

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Entrevista · Impacto Social
Karol Ferreira em pé, de blazer preto, segurando uma carteira caramelo em um salão iluminado

Karol Ferreira · Impacto Social · 4 min de leitura

Karol Ferreira: "Sozinha, eu falo alto. Juntas, somos um coro"

Em entrevista, a fundadora de As Negas do Ziriguidum reflete sobre pertencimento, representatividade e por que a próxima geração de mulheres negras merece um caminho mais leve do que o dela.

Antes de qualquer cargo, projeto ou conquista, existe a Karol: uma mulher periférica. Uma trajetória marcada por momentos de escassez, mas também por muito amor e pela certeza de que educação e amor salvam.

Foram quatro faculdades, especializações, cursos. Não pela quantidade de diplomas, mas por uma vontade quase teimosa de quebrar ciclos: acessar lugares que talvez não tivessem sido imaginados para ela e abrir caminho para que quem viesse depois não precisasse enfrentar a mesma travessia.

Durante anos, não foi preciso provar capacidade duas vezes — foram três, quatro, cinco. É como subir uma montanha: você chega ao topo, mas tão ofegante de tanto demonstrar que merecia estar ali, que às vezes nem consegue comemorar a vista.

Hoje, esse movimento é outro: reconhecer a trajetória não como arrogância, mas como consciência. Saber o que foi construído, o que foi entregue, sem transformar a vida inteira em uma banca de avaliação permanente.

Quando as portas não se abrem, é difícil continuar acreditando — ainda mais quando há poucas referências parecidas com a gente no topo. Mas nunca houve um plano B. E isso não é para romantizar a dificuldade: o desejo é que as próximas gerações tenham plano A, B, C, rede de apoio e todas as possibilidades de escolha que nem sempre existiram no caminho de quem veio antes.

Cada porta que parecia fechada foi, na verdade, um aprendizado: o de construir as próprias portas.

A comunicação sempre foi entendida como ferramenta ancestral — muito antes da internet, já se contavam histórias, transmitia-se conhecimento e preservava-se memória através da voz. Foi assim que nasceu As Negas do Ziriguidum: um espaço para contar histórias, cultura e conquistas da forma como mereciam ser contadas.

E a percepção mais transformadora foi esta: não é preciso esperar que alguém entregue um microfone. É possível construir o próprio.

Criar espaços de pertencimento para pessoas negras é revolucionário. E o amor é ferramenta de cura nesse processo — porque, por muito tempo, nossas histórias foram associadas apenas à dor, à ausência e à violência. Mostrar potência, afeto, inteligência, empreendedorismo e futuro também é uma forma de justiça.

As Negas do Ziriguidum não pertence apenas a quem criou a plataforma — pertence à comunidade que se reconheceu nela.

Estar em um espaço não significa ter voz, poder de decisão ou reconhecimento dentro dele. Ocupar é poder falar, ser escutada e decidir. E a liberdade de escolher, de dizer não, de criar com identidade própria, de definir os próprios caminhos — é um dos maiores presentes que existem.

Estar pode ser temporário. Ocupar é deixar de ser convidada e passar a fazer parte da construção.

Não espere a autorização chegar. Você pertence mesmo antes de alguém reconhecer isso. Procure quem veio antes, construa rede com quem caminha ao seu lado e, ao chegar, olhe para trás e veja quem você pode trazer.

Já lutamos demais para sermos chamadas de guerreiras. A próxima conquista não é provar que sobrevivemos à guerra — é construir um caminho em que quem vier depois não precise mais guerrear.

Nossa Força é a Nossa Voz

Se eu posso ver, eu posso ser.

Essa frase resume tudo: a possibilidade de imaginar um futuro nasceu de mulheres que vieram antes — as mulheres fortes de uma família, as ancestrais, tantas mulheres negras que foram abrindo espaço.

Nossa Força é a Nossa Voz não fala de uma voz individual. Fala de uma voz coletiva — da potência que existe quando nos conectamos, quando uma indica a outra, quando uma abre a porta e chama a próxima para entrar, quando compartilhamos conhecimento e deixamos de acreditar que existe espaço para apenas uma de nós.

Sozinha, é possível falar muito alto. Mas, se gritarmos juntas, vira coro.

E um coro é muito mais difícil de silenciar.
Entrevista · Empreendedorismo
Dra. Débora Santos de blusa azul-marinho, com a mão no queixo, diante de uma cortina clara

Dra. Débora Santos · Empreendedorismo · 3 min de leitura

Da periferia de SP ao Anália Franco: a trajetória da biomédica Débora Santos que virou referência em saúde da pele negra e harmonização natural

Ex-manicure e secretária de clínica, a especialista soma mais de 10 anos na estética, criou método pioneiro para tratamento de acne sem Roacutan e defende a estética humanizada sem a perda de traços de identidade.

SÃO PAULO — Filha de uma diarista e de um metalúrgico, a biomédica esteticista Dra. Débora Santos travou uma verdadeira jornada de superação e estudo até consolidar seu nome como uma das referências em estética facial humanizada na Zona Leste de São Paulo. Com uma trajetória de mais de uma década no setor de beleza e saúde, a profissional hoje lidera sua própria clínica no Anália Franco, atendendo um público majoritariamente formado por pessoas negras que buscam gerenciamento do envelhecimento de forma segura e sutil.

A relação de Débora com a estética começou cedo, ainda na adolescência no Itaim Paulista, quando trabalhava como manicure para ajudar na renda familiar. O divisor de águas veio ao atuar como secretária em uma clínica médica, onde teve contato com procedimentos e vislumbrou nos estudos a oportunidade de transformação de vida. Conciliando jornadas duplas e triplas de trabalho como CLT e faculdade, formou-se em Biomedicina com especializações em Biomedicina Estética e Patologia Clínica, além do técnico em Estética.

Empreendedorismo e pioneirismo no tratamento da acne

A decisão de empreender veio em um momento desafiador: no auge da pandemia de COVID-19, a clínica onde atuava como responsável técnica faliu. Sem cartela de clientes prévia, a especialista sublocou uma pequena sala e começou do zero, utilizando as redes sociais e o passa-a-palavra para construir sua reputação.

Foi nesse período que desenvolveu um método exclusivo para o tratamento de acne avançada sem o uso de isotretinoína (Roacutan). O protocolo combina diagnósticos individualizados, reeducação de rotina, prescrições de skincare manipulado e procedimentos de consultório — eliminando os frequentes efeitos colaterais severos dos medicamentos orais, como o ressecamento labial extremo e a restrição a gestações.

"A acne é um sintoma de algo que o corpo está manifestando. Tratar a pele negra requer cuidado redobrado, pois qualquer processo inflamatório gera hiperpigmentação e manchas profundas. Ver pacientes que recuperaram a autoestima e voltaram a ter vida social sem depender de remédios fortes é o nosso maior diferencial", explica a Dra. Débora.

Outro pilar de destaque na atuação da profissional é a estética facial voltada para a pele negra. Segundo a biomédica, por muitos anos a dermatologia e a estética focaram em padrões eurocêntricos, deixando lacunas sobre o comportamento da pele retinta — que possui maior estímulo de colágeno e firmeza natural, mas exige cautela com ácidos e lasers devido ao risco de manchas e hiperpigmentação pós-inflamatória.

Além disso, a especialista lidera um movimento pela harmonização facial natural, combatendo procedimentos padronizados e exagerados que descaracterizam os traços do paciente.

"A era da harmonização exagerada está chegando ao fim. Nosso público busca se reconhecer no espelho, valorizando seus traços ancestrais. O gerenciamento do envelhecimento deve respeitar a anatomia de cada rosto. Procedimentos minimamente invasivos servem para estruturar as camadas internas e manter a sustentação com manutenção anual, mantendo a essência de cada pessoa", pontua a especialista.

Entrevista · Empreendedorismo
Tainá Supe sorrindo na neve, de gorro branco, óculos e cachecol vermelho

Tainá Supe · Empreendedorismo · 6 min de leitura

Brasileira empreende na Irlanda e cria a Trifoglio, agência de intercâmbio que abre caminhos para novos sonhos

À frente do próprio negócio na Europa, Tainá Supe encontrou na educação a oportunidade de transformar sua trajetória e hoje ajuda outros brasileiros a viver experiências internacionais

Mudar de país, aprender um novo idioma e começar uma vida longe de casa exige mais do que coragem. É preciso lidar com o desconhecido, descobrir novos caminhos e, muitas vezes, reconstruir os próprios planos. A brasileira Tainá Supe conhece bem essa realidade. Foi na Irlanda que ela encontrou oportunidades que mudaram sua trajetória e, mais tarde, deram origem à Trifoglio, agência de intercâmbio criada para ajudar outros brasileiros a viver experiências no exterior.

Hoje, à frente do próprio negócio, Tainá participa de reuniões com representantes de instituições internacionais, acompanha estudantes que desejam sair do Brasil e comemora conquistas que, durante muito tempo, pareciam distantes. Mas, quando fala sobre o caminho que percorreu, ela faz questão de destacar algo que considera fundamental: a educação.

“A minha vida mudou através dos estudos”, afirma.

Aprender inglês foi um dos passos mais importantes dessa transformação. O idioma abriu portas profissionais, ampliou suas possibilidades e trouxe a confiança necessária para circular por ambientes que antes pareciam inacessíveis.

“Estudar inglês abriu muitas portas, portas que eu nunca imaginei. Hoje eu consigo conversar com diretores de colégio, de curso de inglês, de engenharia, por igual”, conta.

Nada disso aconteceu de uma hora para outra. Tainá precisou trabalhar, estudar e enfrentar os desafios de construir uma vida em outro país. Entre as experiências que fizeram parte dessa caminhada está o trabalho cuidando de crianças, período que ela recorda como parte do esforço necessário para chegar aonde está.

Para ela, o conhecimento continua sendo seu maior patrimônio. “O que eu estudei, o que eu aprendi, as bagagens que eu tenho, ninguém vai me tirar.”

Uma mulher negra ocupando novos espaços

A trajetória de Tainá também traz uma reflexão sobre o lugar das mulheres negras no mercado de trabalho, especialmente em ambientes internacionais.

Estar em uma sala de reuniões cercada por executivos europeus, em sua maioria homens brancos, poderia ser motivo de insegurança. Para ela, no entanto, é uma oportunidade de reconhecer o quanto avançou.

“Eu não me sinto inferior porque eu sou negra. Aí estou numa reunião que só tem homem branco, europeu, isso não me faz menor, muito pelo contrário, eu tenho muito orgulho da minha trajetória.”

Essa segurança, segundo Tainá, tem relação direta com sua preparação. Saber o que está falando, dominar o idioma e conhecer o próprio trabalho fizeram diferença na maneira como passou a se posicionar profissionalmente.

Sua experiência também mostra como o acesso à educação pode ampliar as possibilidades de mulheres que, muitas vezes, crescem sem encontrar referências de pessoas parecidas com elas em determinadas profissões ou posições de liderança.

Da experiência pessoal nasceu a Trifoglio

Depois de viver os desafios e as descobertas de uma experiência internacional, Tainá decidiu transformar o conhecimento adquirido em um negócio. Assim nasceu a Trifoglio, agência de intercâmbio sediada na Irlanda.

A empresa atende brasileiros interessados em estudar no exterior, inclusive aqueles que nunca viajaram para fora do país ou ainda não dominam outro idioma.

O trabalho começa na escolha do destino e passa pelas orientações sobre documentação, escolas e processos de visto, quando necessários. A agência não realiza a solicitação do visto em nome dos estudantes, mas oferece auxílio para que eles compreendam as etapas e se preparem para o processo.

Tainá também faz questão de acompanhar de perto a experiência de cada cliente. Para ela, quem decide morar fora não está apenas contratando um serviço. Está confiando a alguém uma decisão que pode mudar sua vida.

Essa proximidade se tornou uma das características da Trifoglio. A empreendedora procura entender as expectativas, os receios e os objetivos de cada estudante, mantendo contato ao longo das diferentes etapas do intercâmbio.

É uma maneira de oferecer a outras pessoas o apoio que pode fazer diferença quando tudo ainda é novidade.

Quando o próprio sonho começa a transformar outras vidas

Entre os momentos que mais emocionam Tainá está uma conquista que vai além do crescimento da agência.

A Trifoglio assumiu os custos de uma experiência internacional para Beatriz, amiga da empreendedora, que não tinha condições financeiras de realizar a viagem.

A iniciativa tem um significado especial para Tainá. Depois de receber oportunidades que contribuíram para sua própria trajetória, ela agora consegue proporcionar novas experiências a outras pessoas.

“Eu tive acesso e alguém investiu em mim, e hoje eu posso investir em outras pessoas.”

Ao contar sobre a iniciativa, ela se emociona. Sabe que uma viagem internacional pode representar muito para alguém que nunca imaginou ter condições de sair do Brasil.

Beatriz é a primeira pessoa contemplada pela proposta, que Tainá deseja ampliar no futuro. A intenção é que outras pessoas também possam viver experiências que talvez não estivessem ao seu alcance.

Para a empreendedora, perceber que seu trabalho pode impactar outras histórias tem sido uma das partes mais gratificantes dessa fase.

Os próximos sonhos também incluem a família

Embora esteja feliz com o momento profissional, Tainá ainda tem muitos planos. Um deles é comprar um imóvel na Irlanda, onde os altos custos de moradia tornam essa conquista especialmente desafiadora.

Outro desejo é trazer os irmãos para trabalhar com ela. Ambos já tiveram experiências no exterior e, segundo a empreendedora, poderiam contribuir com o conhecimento adquirido para o crescimento da Trifoglio.

A ideia de reunir a família também representa a possibilidade de compartilhar as conquistas que vem construindo.

Tainá conta que tantas coisas aconteceram em pouco tempo que, às vezes, ainda tem dificuldade de assimilar tudo. O crescimento da empresa, as oportunidades profissionais e a possibilidade de ajudar outras pessoas fazem parte de uma fase que ela descreve com entusiasmo.

“Eu tô numa fase assim, realizada, quero muitas coisas, mas eu me sinto muito feliz aonde eu estou agora.”

O conselho que ela daria a outras mulheres

Quando pensa nas mulheres negras que também desejam conquistar independência, empreender ou construir uma carreira fora do Brasil, Tainá volta ao mesmo ponto que marcou sua própria história: os estudos.

Ela reconhece que existem diferentes caminhos para alcançar objetivos, mas acredita que investir em conhecimento oferece uma base que permanece mesmo quando os planos mudam.

Em tempos em que as redes sociais frequentemente mostram conquistas rápidas, sua mensagem é sobre construir uma trajetória consistente, sem perder de vista o próprio valor.

“Estude, sempre, estude.”

Hoje, Tainá vive uma realidade que um dia precisou aprender a imaginar. Tem seu negócio, faz planos para o futuro e encontra satisfação em saber que sua experiência pode ajudar outras pessoas a atravessar fronteiras.

E, embora ainda tenha muito a conquistar, já consegue reconhecer o valor do caminho percorrido. Afinal, uma das partes mais bonitas de realizar um sonho é descobrir que ele também pode abrir portas para alguém.

Entrevista · Empreendedorismo
Luanda e a mãe, Maria Helena, sorrindo lado a lado ao entardecer

Luanda e Maria Helena · Empreendedorismo · 3 min de leitura

Mãe e filha criam cafeteria no Ipiranga que transforma ancestralidade em sabores e empreendedorismo

No Ipiranga, em São Paulo, Luanda e Maria Helena transformaram economias próprias em uma cafeteria que celebra raízes brasileiras e abre espaço para outros empreendedores negros.

Uma cafeteria pode ser mais do que um lugar para tomar café. No bairro do Ipiranga, em São Paulo, o Potira Café nasceu com a proposta de reunir gastronomia, memória e empreendedorismo. À frente do negócio estão Luanda, de 34 anos, e sua mãe, Maria Helena, de 61, que investiram recursos próprios para tirar o projeto do papel.

Inaugurado em outubro de 2026, o espaço carrega no nome uma homenagem às origens: Potira significa “flor” em tupi. A escolha traduz a intenção das fundadoras de reconhecer as mulheres e as histórias que vieram antes delas, sem perder de vista as possibilidades de construir novos caminhos.

A cozinha é conduzida pela chef baiana Laura Tosta, de 28 anos, natural de Barra do Mendes. Sua proposta valoriza ingredientes brasileiros, receitas afetivas e sabores ligados à sua trajetória. Entre as criações apresentadas na abertura estavam bolo de aipim com coco, torta de abóbora com carne seca e brigadeiro de laranja com castanha-de-caju.

Mas a iniciativa não se limita ao cardápio. O Potira também busca fortalecer uma rede de negócios negros, com espaço para parcerias e circulação de produtos e ideias. Assim, o endereço se apresenta como ponto de encontro entre quem produz, quem empreende e quem deseja conhecer outras narrativas por meio da comida.

A história de Luanda e Maria Helena mostra como um empreendimento familiar pode carregar um significado coletivo. Ao unir trabalho, referências culturais e autonomia financeira, mãe e filha criaram um lugar em que o futuro é construído sem deixar a memória para trás.

Conheça o espaço

Potira Café · Rua Gama Lobo, 582, Ipiranga, São Paulo · Instagram: @potiracafe

Entrevista · Empreendedorismo
Bruna sorrindo dentro de uma cabine de papelão da Imagine e Desenhe, decorada com seus desenhos

Bruna · Empreendedorismo · 5 min de leitura

Bruna transforma a arte em voz, identidade e empreendedorismo à frente da Imagine Desenho

Criada em 2013 como um espaço de expressão pessoal, a marca nasceu nas redes sociais e se tornou um negócio que une criatividade, diversidade e conexão com as próprias raízes.

Antes de se tornar um negócio, a Imagine Desenho era um espaço onde Bruna podia se expressar. Foi em 2013 que ela começou a compartilhar suas criações no Instagram, sem imaginar que aqueles desenhos, inicialmente feitos como hobby, abririam caminho para uma trajetória no empreendedorismo.

A arte já ocupava um lugar importante em sua vida. Era uma maneira de colocar sentimentos para fora, provocar reflexões e falar sobre assuntos que considerava importantes. Aos poucos, o que começou como uma expressão individual passou a alcançar outras pessoas.

“A Imagine nasceu em questão de ser uma expressão artística, minha sobrevivência, reflexão, trazer informação, diversidade. E o propósito é que a arte fosse acessível e informativa também”, conta.

A proposta sempre esteve ligada à ideia de que um desenho pode carregar muito mais do que uma imagem. Pode comunicar uma mensagem, despertar identificação e abrir conversas sobre temas que nem sempre encontram espaço no cotidiano.

Quando a criatividade se tornou profissão

Bruna não começou a desenhar pensando em abrir uma empresa. O empreendedorismo apareceu conforme seu trabalho passou a despertar interesse e surgiram as primeiras encomendas.

Uma das oportunidades que marcaram esse início foi o convite para ilustrar uma cartilha de um projeto do Sistema Único de Saúde (SUS), ligado ao Ministério da Saúde, sobre doação de medula óssea.

O trabalho mostrou que sua arte poderia contribuir também para comunicar informações importantes à população.

Outros pedidos começaram a chegar e, com eles, a necessidade de aprender a lidar com clientes, organizar projetos e administrar o próprio negócio.

“Eu fui vendo que foram aparecendo trabalhos, encomendas, então fui empreendendo, fui aprendendo também nesse processo e vendo que a criatividade poderia ser um negócio”, relembra.

Foi assim, sem um plano inicial de transformar o hobby em empresa, que a Imagine Desenho começou a ganhar forma.

Uma marca que carrega suas raízes

Mesmo com o crescimento profissional, Bruna procurou preservar aquilo que motivou suas primeiras criações: a liberdade de se expressar e de falar sobre temas que fazem parte de sua identidade.

Na Imagine Desenho, a criatividade caminha ao lado da reflexão, da diversidade e da conexão com suas origens.

Essa relação com a própria essência também se tornou uma maneira de construir vínculos com quem acompanha seu trabalho.

Mas Bruna acredita que o diferencial da marca não está apenas nos desenhos. Para ela, a maneira como se relaciona com as pessoas também faz parte da experiência que deseja oferecer.

Ao longo dos anos, procurou manter um atendimento próximo, responder às dúvidas dos clientes, acompanhar os projetos e estar disponível durante as diferentes etapas de cada trabalho.

A preocupação com esses detalhes ajudou a construir relações de confiança e se tornou parte da identidade da Imagine Desenho.

O lado do empreendedorismo que nem sempre aparece

Por trás das ilustrações, das ideias e dos projetos criativos, existe uma rotina que exige planejamento, organização e decisões nem sempre simples.

Bruna descobriu isso ao enfrentar dificuldades com a gestão burocrática do negócio.

Ela conta que teve experiências negativas com profissionais de contabilidade, que acabaram trazendo prejuízos. A situação a fez perceber que, mesmo delegando determinadas atividades, precisava acompanhar de perto as questões administrativas e financeiras da empresa.

O aprendizado mudou sua maneira de empreender.

“Planejamento, organização e disciplina são a base do meu negócio. Por mais que eu mexa com coisa criativa, para eu ter esse tempo de criar, preciso estar organizada com a parte burocrática também.”

Para Bruna, entender esse lado menos visível do empreendedorismo foi fundamental para continuar desenvolvendo seu trabalho.

Afinal, ter liberdade para criar também depende de conseguir manter o negócio funcionando.

A arte como uma extensão da própria voz

Ao longo de sua trajetória, Bruna encontrou no desenho uma maneira de comunicar aquilo que acredita e sente.

Sua relação com a arte vai além da profissão. É também uma forma de preservar suas raízes, compartilhar informações e estabelecer conexões com outras pessoas.

Quando convidada a refletir sobre o significado da frase que dá nome ao projeto Nossa Força é a Nossa Voz, ela encontrou uma resposta que traduz sua própria história.

“Minha força é a minha arte. Ela é a minha voz. É onde eu me comunico, onde eu trago informação, reflexão e conexão.”

A frase resume o caminho que percorreu desde os primeiros desenhos publicados nas redes sociais até a construção da Imagine Desenho.

Mais de uma década depois, Bruna continua encontrando na criatividade uma forma de se posicionar no mundo e de dar significado ao próprio trabalho.

Sua história mostra que empreender nem sempre começa com um plano de negócios. Às vezes, começa com a vontade de criar, de compartilhar uma ideia e de encontrar pessoas que se reconheçam nela.

No caso de Bruna, começou com desenhos. E foi por meio deles que ela encontrou sua voz.

Minha Voz
Cris Guterres sorrindo, de vestido rosa, com a mão no rosto

Cris Guterres · Minha Voz · 5 min de leitura

Cris Guterres: “Eles ainda irão ouvir meu nome”

Com uma trajetória marcada pela conquista de espaços na comunicação, a jornalista segue ampliando sua voz no UOL Universa. Uma conversa com ela também ajudou a fortalecer o projeto Nossa Força é a Nossa Voz.

Existem vozes que não precisam pedir licença para ocupar espaços. Elas conquistam seu lugar, desafiam expectativas e deixam marcas por onde passam. A jornalista e comunicadora Cris Guterres construiu sua trajetória com essa determinação. Hoje, sua atuação no UOL Universa dá continuidade a uma carreira marcada pela valorização de histórias e perspectivas que merecem ser ouvidas.

Ao longo desse caminho, Cris também conquistou espaço na televisão aberta, à frente do programa Estação Livre, da TV Cultura. A experiência representa um capítulo importante de sua trajetória e reforça a presença de mulheres negras em espaços de visibilidade na comunicação brasileira.

Foi assim que uma ligação para a jornalista e apresentadora Cris Guterres ganhou um significado especial na minha trajetória.

Quando comecei a dar os primeiros passos para transformar uma ideia em realidade, o projeto ainda se chamava Black Space Work. Foi nesse momento, entre sonhos, incertezas e a vontade de criar um espaço para dar visibilidade a histórias reais, que fiz uma ligação para Cris.

Naquela época, eu ainda buscava caminhos para construir algo que tivesse propósito e pudesse inspirar outras pessoas. Com o tempo, a ideia amadureceu, ganhou novos significados e passou a se chamar Nossa Força é a Nossa Voz, um nome que traduz melhor a essência do que sempre quis construir: um espaço onde cada história importa e toda voz merece ser ouvida.

O que eu não imaginava era que aquela conversa com Cris se tornaria uma das lembranças mais especiais dessa caminhada.

Do outro lado da linha, ouvi uma resposta simples, mas que carregava um significado enorme:

“Conte comigo.”

Para quem está começando um projeto, ouvir essas palavras faz diferença. É perceber que existem pessoas dispostas a acreditar em uma ideia antes mesmo de ela ganhar forma.

Mas houve outra frase naquela conversa que nunca esqueci. Com a segurança de quem reconhece o próprio valor, Cris afirmou:

“Eles ainda irão ouvir meu nome. Cris Guterres.”

A frase ficou guardada comigo. Não apenas pela força das palavras, mas pelo que elas representam: a coragem de acreditar na própria trajetória e de reconhecer que nossa voz merece alcançar novos espaços.

Uma voz que segue abrindo caminhos na comunicação

A presença de Cris em diferentes espaços da comunicação revela uma carreira em movimento. No UOL Universa, ela segue construindo sua trajetória e contribuindo para ampliar a diversidade de perspectivas no debate público.

Sua presença em diferentes espaços da comunicação mostra uma carreira em movimento. Também reforça a importância de mulheres negras ocuparem lugares de visibilidade, compartilharem suas perspectivas e participarem das histórias que ajudam a construir a sociedade.

Durante muito tempo, muitas dessas vozes tiveram pouco espaço para contar suas próprias histórias. Por isso, reconhecer trajetórias como a de Cris também significa olhar para a importância da representatividade e para os caminhos que ainda precisam ser abertos.

Existe uma força particular em quem compreende que sua história tem valor, independentemente de quantas pessoas já estejam dispostas a ouvi-la.

E talvez seja justamente essa convicção que torne a frase de Cris tão marcante.

Entre o medo e o sonho, existe um salto de fé

Naquela mesma conversa, Cris mencionou uma reflexão sobre o chamado salto de fé, expressão que ficou na minha memória e que, com o passar do tempo, ganhou um significado ainda maior.

Todo sonho exige, em algum momento, uma decisão. É preciso sair do lugar conhecido, enfrentar dúvidas e seguir mesmo quando não temos certeza de como será o caminho.

Nem sempre estamos preparados. Nem sempre temos os recursos, as respostas ou a segurança que gostaríamos. Mas há momentos em que acreditar é o primeiro passo para fazer acontecer.

Foi assim com o projeto.

O que começou como Black Space Work passou por mudanças, ganhou uma identidade mais próxima do que eu desejava comunicar e se transformou no Nossa Força é a Nossa Voz.

A proposta também amadureceu. Mais do que contar histórias de sucesso, o projeto passou a representar um espaço de escuta, de encontros e de valorização das experiências que nos formam.

Porque por trás de cada conquista existe uma caminhada que nem sempre é vista. Há medos, renúncias, recomeços e pessoas que, de alguma maneira, nos ajudam a continuar.

Quando uma voz fortalece outra

A história de Cris Guterres merece ser reconhecida por sua trajetória na comunicação, mas existe também uma dimensão mais pessoal que me fez querer compartilhar essa lembrança.

Ela está no significado de uma conversa que aconteceu quando tudo ainda era uma ideia.

Cris talvez não imaginasse o quanto aquelas palavras permaneceriam comigo. Ao dizer “conte comigo”, ofereceu algo que nem sempre percebemos ser tão importante: incentivo.

Não foi preciso uma promessa grandiosa. Bastou a disposição de estar presente.

Hoje, ao olhar para o caminho percorrido até aqui, entendo que o Nossa Força é a Nossa Voz também é feito desses encontros. De pessoas que acreditam, que inspiram e que, mesmo sem saber, deixam marcas na história de outras.

É por isso que escolhi contar essa lembrança.

Porque existem vozes que nos emocionam pelo que dizem. Outras nos inspiram pelo que representam. E há aquelas que, em algum momento da vida, nos ajudam a encontrar a coragem de usar a nossa própria voz.

Cris, quando você disse “Eles ainda irão ouvir meu nome. Cris Guterres”, talvez não imaginasse que essa frase encontraria um lugar tão especial na minha memória.

Sua voz já foi ouvida por mim. E, de alguma forma, ajudou a dar força à minha.

Entrevista · Inovação
Andreza Maia sorrindo, sentada em um sofá de couro, de terno marrom

Andreza Maia · Inovação · 4 min de leitura

Sem precisar falar mais alto: como a futurista Andreza Maia transformou a própria voz em ponte para que outras cheguem

Em entrevista ao projeto "Nossa Força É a Nossa Voz", a especialista em futurismo e inovação relembra suas raízes em Contagem, questiona a hegemonia do Vale do Silício ao exaltar o filtro de barro e afirma: “A gente não pode esperar que alguém autorize a nossa existência.”

Por onde passa, Andreza Maia carrega a pergunta que incomoda e desloca: de quem é o futuro que estamos construindo?

Mineira, nascida e criada na Vila Padre Dionísio, em Contagem, ela é hoje palestrante e especialista em futurismo e inovação, uma mulher negra que ocupa, com frequência, palcos e salas de reunião onde raramente encontra alguém parecido com ela no centro das discussões sobre tecnologia, inteligência artificial e caminhos globais.

No entanto, antes de falar sobre o amanhã ou citar suas passagens por instituições como Harvard e o MIT, Andreza faz questão de fincar os pés no passado. Para ela, a primeira grande referência de liderança e autonomia não veio de teorias acadêmicas, mas do exemplo prático dentro de casa.

"A gente não pode esperar que alguém autorize a nossa existência", decreta. "Minha mãe nunca esperou permissão de ninguém. Ela sempre foi muito firme, trabalhadora, desenrolada e dona das próprias escolhas."

Essa vivência periférica, entrelaçada pelo cuidado comunitário das vizinhas enquanto os pais trabalhavam, construiu a base da sua postura profissional. Foi ali que aprendeu que ninguém se constrói sozinho — e que discordar, tentar e fazer perguntas são atos de coragem diários.

No início da carreira, a energia de Andreza estava concentrada em provar, individualmente, sua capacidade técnica. Com a maturidade, veio a percepção de que sua presença tinha uma dimensão política inescapável.

"Quando você é uma das poucas — e muitas vezes a única — mulher negra em determinados espaços, sua presença passa a ter um significado que ultrapassa você", reflete. "Se eu estou ali, outra pessoa entende que também pode estar. Para mim, sempre foi claro: eu estou aqui para que outras cheguem."

Essa projeção não a afasta da realidade dura que enfrenta fora dos painéis corporativos. Andreza faz questão de enfatizar que a ascensão profissional não a blindou do racismo estrutural: "Na rua, eu continuo sendo uma mulher negra. Isso não impede que eu passe por questões raciais ou tenha o meu trabalho questionado."

O diferencial, pontua, está na capacidade de expandir o próprio imaginário. "Muitas vezes, o impossível não é aquilo que a gente não consegue fazer, mas aquilo que a gente sequer consegue imaginar."

O filtro de barro e a verdadeira inovação

Em um universo corporativo onde a inovação costuma ser reduzida a inteligência artificial generativa, óculos de realidade virtual e termos em inglês trazidos do Vale do Silício, Andreza propõe um resgate cultural e de identidade.

Durante um debate recente dominado por jargões tecnológicos, ao ser questionada sobre o que considerava um grande exemplo de inovação, ela surpreendeu a mesa ao citar o filtro de barro.

"Um dos maiores aspectos da inovação existentes no Brasil é o filtro de barro: uma tecnologia simples, nossa, extremamente eficiente e com altíssima capacidade de purificação", defendeu. "Eu não preciso parecer com as pessoas que historicamente ocuparam esse espaço para ter algo relevante a dizer sobre ele."

Essa visão se estende à análise que faz sobre as tecnologias emergentes. Para ela, a Inteligência Artificial não deve ser encarada como vilã nem como salvadora da pátria, pois é apenas um reflexo da estrutura social que a produz.

"A tecnologia é criada por pessoas, treinada com dados de uma sociedade e aplicada dentro de estruturas existentes. Se a sociedade é desigual, a tecnologia vai reproduzir essa desigualdade. A IA não é o assunto principal do futuro; ela é só uma parte da conversa. A outra parte é quem está desenvolvendo."

Mais do que servir de inspiração, Andreza defende que a representatividade precisa vir acompanhada de redistribuição real de acesso e oportunidades.

"A referência funciona como uma permissão simbólica: quando você vê alguém no topo, aquele espaço deixa de parecer inalcançável. Mas a referência sozinha não basta. Precisamos de oportunidades reais que transformem esse imaginário em trajetória."

Ao olhar para a menina de Contagem e para tudo o que construiu, ela deixa um conselho afetuoso para quem está começando a própria caminhada — e lembra que a verdadeira força da voz não está no tom ou no volume, mas no compromisso com a verdade.

"Ter voz não é necessariamente falar mais alto. É conseguir dizer aquilo que precisa ser dito, mesmo quando seria muito mais confortável ficar em silêncio. Você não precisa saber agora onde vai chegar. Apenas caminhe — o caminho se abre no passo."